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Venture Capital vs. Private Equity

Já falamos aqui sobre a jornada das startups e como as modalidades de investimento variam ao longo de suas trajetórias. Também explicamos que conforme o negócio se desenvolve e o risco é equalizado, o venture capitalist dá lugar ao investidor de private equity. Agora, é hora de aprofundar nas diferenças entre esses dois players.
15.12.2022 por DCOM
Foto colaborador

Em nosso primeiro artigo da série de publicações sobre a jornada das startups [1], explicamos brevemente as modalidades de investimento comumente utilizadas no ecossistema, traçando o perfil do investidor de cada estágio. Hoje, trataremos de venture capital e de private equity, dois modelos de investimento extremamente importante para alavancar startups. Mas antes, vamos retomar e desenvolver alguns conceitos.

O financiamento da vida empresarial pode se dar via empréstimo bancário, emissão de títulos de dívida e/ou de equity, sendo certo que a melhor escolha – ou seja, a captação mais “barata” sob a ótica do empreendedor – deverá considerar fatores como: inflação e taxa de juros, geração de caixa, nível de endividamento e da confiabilidade que a empresa tem perante o mercado.

Sob a ótica do investidor (ou do comprador, conforme a natureza da operação), a soma dos fatores acima resulta no risco do investimento, que determinará a relação entre o valor aportado e a remuneração que ele deseja receber ao final. Naturalmente, quanto maior o risco, maior será o retorno desejado sobre o investimento.

Se, por um lado, investidores de venture capital (VC) e de private equity (PE) se assemelham na forma de investimento – aquisição equity, isto é, de participações societárias de emissão da investida –, por outro lado, é no risco do investimento que está a maior diferença entre elas. Enquanto no VC os investidores têm mais apetite a riscos e, portanto, visam maiores retornos financeiros no longo prazo, no PE, as teses são mais conservadoras e, por consequência, as margens de lucro são menores, apesar de mais previsíveis.

Os alvos mais comuns de investidores de PE são empreendimentos de middle market, operacional e financeiramente maduros, mas que possuam potencial de upside a partir da otimização da gestão e/ou por injeção de capital. Logo, a tese de investimento mais comum nessa modalidade é a aquisição de controle ou da totalidade do capital social de empresas não listadas em bolsa para vendê-las no futuro [2].

Já os alvos de investidores de VC são empreendimentos promissores (naturalmente, que atrelam tecnologia à sua cadeia produtiva para que haja fácil escalabilidade operacional) que se encontrem em estágio incipiente. Aqui, a necessidade de capital é para amadurecer (ou até mesmo definir) o produto/serviço oferecido ou mesmo para atacar seu mercado consumidor. É o caso das chamadas startups ou scaleups.

A tese mais comum dos fundos de VC é realizar aportes sazonais com um fim pré-determinado em troca do direito a uma posição minoritária na operação. Uma startup de sucesso passa por algumas rodadas de investimento ao longo de sua jornada, de modo que a cada novo aporte, novos milestones devem ser atingidos e uma nova parcela de equity é comprometida.

A regra do jogo em VC é investir em empreendedores que sejam capazes de, no longo prazo, transformar sua ideia em um produto robusto e maduro o bastante para vendê-lo a terceiros, oportunizando a saída dos investidores a múltiplos elevados, seja via M&A ou via IPO.

Importante destacar uma recente mudança no cenário de investimentos de VC no mundo: para conquistar mercados rapidamente, era comum que empreendedores queimassem mais recursos do que era arrecadado. Agora, os principais fundos buscam por empreendedores que tocam suas empresas com o foco na geração saudável de caixa, de forma que a mentalidade de cash burn intensivo parece ter perdido valor.

Apesar de haver diferenças importantes entre investimentos de VC e de PE, como o cálculo do valuation das empresas alvo e as cláusulas contratuais mais comuns em cada um, no final do dia, deve-se entender que a finalidade de ambos é a mesma: possibilitar o exit do investidor a múltiplos superiores ao que ele ingressou na operação. A principal diferença está no risco associado a cada modalidade, o que, portanto, justifica o prêmio diferenciado entre elas.

 

 

[1] Confira em: <https://www.linkedin.com/pulse/jornada-da-startup-onde-entram-os-investimentos-dcom-law/?trackingId=tEojYVWJwsM9ZV8v7yCZ1w%3D%3D>.

[2] Há outras teses em private equity, como o PIPE (Private Investment in Public Equity), que se resume na aquisição de posições minoritárias (mas relevantes) em companhias abertas, visando o recebimento de dividendos no curto prazo e um exit no longo prazo, e a aquisição de empresas não listadas em bolsa que tenham problemas financeiros para recuperar seu valor (turnaround).